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André Varela Remígio Rua Fernão Penteado, 22 1400-148 Lisboa Telm.: 966582458 Fax: 213011038 E-mail: a.v.remigio@sapo.pt Site: www.avremigio.com Área de intervenção: Escultura em madeira, Marfim, Barro e Talha
1- Há quanto tempo existe o seu atelier/ trabalha em Conservação e Restauro? Tendo concluído o Bacharelato em Conservação e Restauro da antiga Escola Superior de Conservação e Restauro em 2000, no mesmo ano comecei a trabalhar independentemente. Nos anos de 2001 e 2002 colaborei pontualmente com um atelier de Conservação e Restauro de Escultura, no ano 2003 colaborei com o mesmo atelier de um modo permanente e no final do mesmo ano retomei a minha actividade independente, a qual mantenho até este momento.
2- Que tipo de atelier se trata e a que tipo de áreas preferenciais se dedica? Neste momento sou empresário em nome individual e trabalho essencialmente sozinho, recorrendo pontualmente a outros colaboradores quando necessito. Tendo sido especializado academicamente na área de Escultura e por uma questão de ética profissional, é exclusivamente nesta área em que trabalho. Trabalho preferencialmente em talha e escultura sobre madeira, marfim e barro cozido, seja ela de características religiosas, etnográficas ou utilitárias.
3- Que percentagem de trabalho é realizado em atelier e em estaleiro? Uma vez que me dedico essencialmente sobre Escultura, trabalho em atelier. Mesmo quando intervenho em trabalhos de maior porte, como um acervo escultórico de uma determinada igreja, opto por transportar as peças para o meu atelier, mesmo quando estas são em grande quantidade e de grandes dimensões.
4- Quando necessita, qual o tipo de formação das pessoas que emprega? Dependendo dos projectos que tenha em mãos e das suas necessidades específicas, recorro pontualmente a outros conservadores-restauradores para trabalhos de Conservação e Restauro, especializados em escultura para obras de maiores dimensões desta área ou conservadores-restauradores com outras especialidades a fim de me auxiliarem em peças de escultura mais complexas, obras compostas ou conjuntos de obras que o necessitem, mas sempre conservadores-restauradores com formação superior. Quando é estritamente necessário executar obra nova, não muito frequentemente, recorro a técnico-profissionais indicados para cada tipo de área, por exemplo, marcenaria, douradura, pintura decorativa, e a quem oriento seguindo a ética da Conservação e Restauro vigente.
5- Que tipo de clientes são os que procuram os seus serviços? Sou contactado essencialmente pelo IPPAR, por museus, pela Igreja Católica Portuguesa e por particulares. Cada cliente tem as suas características o que confere contextos diferentes a cada peça, o que influencia os tratamentos efectuados.
6- Que tipo de equipamento dispõe no seu atelier para efectuar o seu trabalho? Tenho o equipamento necessário para efectuar grande parte dos trabalhos. Sempre que necessito de equipamento de que não disponho, como por exemplo, exames de análise, recorro a empresas que o tenham. Conto melhorar o meu equipamento brevemente e de acordo com as minhas necessidades.
7- Qual a sua opinião sobre o mercado de trabalho em Portugal no presente e quais as suas expectativas?
Neste momento, o mercado de trabalho da Conservação e Restauro em Portugal está a sofrer o que qualquer área recente sofre na sua afirmação na sociedade. Sofre ainda a agravante de ser uma profissão aparentemente manual, o que não é, e por isso grande parte dos profissionais que actuam nesta área são pessoas sem qualquer tipo de formação ou com outras formações. Técnico-profissionais, artesãos, marceneiros, douradores tradicionais, detentores de cursos de curta duração e simples curiosos trabalham todos em Conservação e Restauro sem quaisquer critérios de intervenção e sem qualquer distinção por parte dos clientes, uma vez que não estão devidamente informados. Esta situação é extremamente prejudicial à nossa profissional, bem como ao Património Cultural que sofre constantemente com intervenções altamente discutíveis e muitas das vezes irreparáveis. A Conservação e Restauro é uma disciplina universitária e deve ser interpretada como tal em todas as vertentes, apenas podendo ser exercida por pessoas devidamente formadas. Algumas das especialidades da Conservação e Restauro estão saturadas, umas com défice de profissionais e outras ainda por explorar. Acredito que o meio da Conservação e Restauro se organizará e que cada profissional ocupe o seu papel, porque há espaço para todos. Está em marcha um processo de Acreditação de Conservadores-restauradores que apenas permitirá a pessoas devidamente formadas exercer esta profissão e aos acreditados obrigará uma especialização. A perspectiva que tenho é que ou o meio da Conservação e Restauro é organizado pelas instituições competentes ou então o Património Cultural Português sofrerá drasticamente com a presente desorganização. |